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Que cuidados ter na hora de ir à sapataria

(Foto: Freepik)

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Dedos que de tão apertados vão ficando irreversivelmente encavalitados uns nos outros, bolhas e mais bolhas, os joanetes que não se aguentam, as plantas dos pés doridas, as articulações a ressentirem-se. Quem nunca? É verdade que não há soluções milagrosas, mas uns quantos cuidados na hora de escolher o que vai calçar podem fazer a diferença. A podologista Carla Ferreira, do grupo Lusíadas, aponta os aspetos que deve ter em conta na hora de escolher o próximo par de sapatos. Para miúdos e graúdos.

Sapatos fechados

Chinelos e sandálias

Calçado infantil

Calçado barefoot. (Quase) como andar descalço

Nos últimos anos, o conceito de calçado barefoot tem vindo a ganhar força e visibilidade, sobretudo no caso de bebés e crianças. Barefoot, na tradução à letra, significa “pé descalço”. O que na prática resume bem o conceito que subjaz a este tipo de sapatos. “A ideia é proporcionar um caminhar que se assemelha em grande medida ao de um pé descalço. Não há uma interferência nem nos movimentos nem na funcionalidade do próprio pé”, resume Carla Cristina Pereira, também podologista. Note-se que o calçado barefoot se caracteriza por ter uma sola fina e flexível, proporcionando uma maior sensibilidade e contacto direto com o solo. A propósito, e fazendo aqui um parêntese, a especialista lembra, por oposição, que as sapatilhas que muitos adolescentes usam atualmente, com amortecedores que se traduzem numa altura considerável na parte do calcanhar, não são de todo uma boa opção para uso diário. “Ao dar altura no calcanhar, os músculos da cadeia posterior vão ficar encurtados”, salienta.

Mas voltando ao barefoot. Carla aponta outras características que lhe parecem relevantes. “A ‘toe box’ [caixa dos dedos] é mais larga, a palmilha é reta, não têm o chamado contraforte e é tão flexível que dá para enrolar quase como um charuto.” Características que, no seu entender, têm vantagens inegáveis. Desde logo “a estimulação de pontos de pressão”. Como os pés são ricos em terminações nervosas sensíveis ao toque, a sola fina vai permitir que as crianças sintam o solo e sejam mas responsivas aos diferentes estímulos táteis. “Além de que ajudam a fortalecer a musculatura intrínseca, melhoram o equilíbrio e a própria postura”, considera. Mas então podem ser uma boa opção também para nós, adultos? Carla admite que ela própria tem vindo gradualmente a render-se, mas destaca que, “como não estamos habituados, é preciso fazer uma transição gradual”. E ressalva que não serão uma boa aposta no caso de pessoas de idade ou com patologias específicas.