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Acabou esta quinta-feira mais uma edição da Web Summit, desta vez sem o impacto de anos anteriores. A Web Summit é como as pulseiras powerbalance: durante uns tempos tinha inúmeros devotos, mas agora só alinham alguns insistentes.
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A pessoa mais entusiasmada naquele palco foi mesmo Carlos Moedas, que atua como se estivesse no “The Voice” e quisesse muito que um cargo internacional lhe vire a cadeira e diga para se sentar.
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Luís Montenegro estreou-se no certame, falando inglês como quem mostra que teve duas semanas inteirinhas a usar aquela aplicação de línguas, o Duo Lingo. Já sabe dizer as cores, as frutas, e bem-vindos a Portugal. Adorável.
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A Web Summit atual já nem sequer tem uma boa bronca para apimentar as notícias. Saudades dos jantares no Panteão Nacional, com a tumba do Manuel de Arriaga a fazer de mesa de queijos.
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A Web Summit encheu (ainda mais) as ruas de Lisboa de americanos, facilmente reconhecíveis pelos seus copos de Starbucks, sentido de orientação de quem acha que está na América Latina e convicção de que o pastel de nata corresponde a 70% da nossa roda dos alimentos.
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Especula-se que muitos americanos queiram ficar por cá, dada a vitória do Trump. Mas calma, que estes refugiados políticos não vão para a fila do ex-SEF. Vão para a antiga casa da dona Lurdes no bairro da Graça, que agora é um duplex giríssimo.
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Trump já arranjou um cargo para Elon Musk, no Departamento de Eficiência Governamental, para cortar gastos. Se as casas de apostas não estiverem a dormir, este é o embate do século. Devia dar para apostar quantos meses vão aguentar estes egos juntos sem andarem ao sopapo.
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O tema mais importante da semana foi mesmo a cor dos boletins de saúde das crianças. A DGS queria que fossem todos amarelos, o Ministério da Saúde insiste no azul para meninos e rosa para meninas. Existem as cores primárias e depois existem estas discussões secundárias, que, na verdade, só servem para distrair do INEM.
[Artigo publicado originalmente na edição do dia 17 de novembro da “Notícias Magazine”]