Consórcio reúne CoLab InnovPlantProtect, NOVA FCT, GreenBePharma e AGR Global na busca de soluções a partir de extratos de canábis.
Combater as doenças que têm provocado prejuízos nos olivais a partir de um biopesticida criado com excedentes da produção de canábis medicinal. Este projeto, que dá pelo nome de ValorCannBio, é liderado pelo InnovPlantProtect e junta o Laboratório Associado para a Química Verde da NOVA FCT e as empresas GreenBePharma (produção de canábis medicinal) e AGR Global (cultivo e produção de olival). Conquistou um financiamento de 150 mil euros na 6.ª edição do Programa Promove da Fundação “La Caixa”, em colaboração com o BPI e Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), na categoria de projetos-piloto inovadores.
O ValorCannBio pretende ajudar a controlar a gafa e a tuberculose, duas doenças do olival “bastante graves, que vão deteriorando a qualidade do produto final”, provocando prejuízos nos campos, explica Ana Rita Duarte, investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT). As soluções que existem atualmente no mercado para combater estas pragas não só “não são eficazes”, como “recaem em grupos dos pesticidas de síntese química, com impactos negativos no meio ambiente, e que estão a ser descontinuados”, pelo que é necessário “encontrar alternativas”, acrescenta.
Através deste projeto, que tem a duração de três anos, os investigadores vão procurar desenvolver um novo biopesticida, que aproveita as folhas da planta de canábis, um excedente da produção de canábis medicinal em Portugal, que legalmente têm de ser destruídas.
Ao “desenvolver biopesticidas de base biológica de subprodutos provenientes da uma indústria em franca expansão a nível nacional, e nomeadamente no Alentejo, o ValorCannBio contribuirá para as metas estabelecidas pela Comissão Europeia na Estratégia do Prado ao Prato e da Biodiversidade, da redução de 50 por cento do uso de pesticidas de síntese química até 2050”, realça Cristina Azevedo, diretora do departamento de Novos Biopesticidas do laboratório colaborativo InnovPlantProtect, sediado em Elvas.
Os produtos serão inicialmente testados nos campos das empresas parceiras, no município de Elvas. A intenção é alargar, depois, a olivais noutras regiões do país, onde as pragas têm provocado prejuízos aos agricultores.