
Nuno Melo, ministro da Defesa, fez uma proclamação polémica durante uma cerimónia em Estremoz e acabou no olho do furacão. As críticas, a resposta e o contexto histórico.
“Olivença é portuguesa, naturalmente. E não é provocação nenhuma”
Nuno Melo, ministro da Defesa
A tirada
Na cerimónia comemorativa do Dia do Regimento de Cavalaria N.º 3, que decorreu em Estremoz, no distrito de Évora, na última sexta-feira, Nuno Melo, ministro da Defesa, defendeu que Olivença era portuguesa e que, por tratado, o território deve ser entregue ao Estado português.
As críticas
A afirmação mereceu um rol de críticas, tanto em Espanha como em Portugal, sobretudo pelo seu cariz divisivo e instigador de rivalidades antigas e quase esquecidas. Pedro Nuno Santos, líder do PS, por exemplo, considerou as afirmações “graves”. Já José Luis Quintana, delegado do Governo de Espanha na região da Estremadura, classificou-as de “absolutamente infelizes”.
A resposta
Na reação, Nuno Melo disse tratar-se de uma posição antiga e garantiu que falou enquanto presidente do CDS. No entanto, as justificações não foram convincentes. Desde logo, porque estava presente numa cerimónia como ministro.
É ou não?
E, afinal, Olivença é ou não portuguesa? Por tratado sim. Mas o caso tem que se lhe diga. É que apesar de Portugal continuar a reconhecer Olivença como fazendo parte das suas fronteiras, na prática o território foi permanecendo sob o domínio espanhol e, à exceção do grupo “Amigos do Olivença”, o assunto há muito não inspira contestação.
1815
O ano em que o Congresso de Viena concordou que Olivença tinha de ser devolvida a Portugal (algo que não chegou a concretizar-se).