A menos de quatro meses das eleições nos EUA, cresce a preocupação face à capacidade do atual líder para bater Trump e exercer o cargo durante mais quatro anos. Apelos à desistência sucedem-se, até ver sem sucesso.
Do idadismo à apreensão geral
Se as primeiras críticas a Joe Biden por se recandidatar à Casa Branca aos 81 anos soaram a idadismo (preconceito em relação à idade), a preocupação face às reais capacidades do atual presidente dos EUA para bater Donald Trump nas eleições de novembro e se manter no cargo durante mais quatro anos tem vindo a ganhar lastro na sociedade americana.
O debate
Um ponto marcante nesse escalar de críticas foi o debate de há duas semanas frente a Trump. Biden apresentou-se num registo particularmente frágil (mesmo que a campanha dos democratas se tenha apressado a explicar que o presidente estava com uma constipação) e com um discurso monótono, errático, aqui e ali desconexo. Trump mostrou outra vitalidade, é certo, mas dado que praticamente todas as intervenções que fez foram pautadas por mentiras, dificilmente se pode dizer que tenha vencido.
“Ninguém é mais qualificado para vencer esta eleição do que eu”
Joe Biden
Presidente dos EUA
Jornais, estrelas, democratas
Ainda assim, a performance de Biden deixou o partido à beira de um ataque de nervos. Desde então, têm-se multiplicado os apelos à desistência: seja nos editoriais dos jornais de referência, na voz de estrelas de Hollywood, como George Clooney, ou de figuras proeminentes do partido – o senador Peter Welch pediu abertamente a Biden que saísse de cena, “pelo bem do país”. A contestação aumentou depois de, na última quinta-feira, durante a Cimeira da NATO, o presidente americano ter chamado Putin a Zelensky e “vice-presidente Trump” a Kamala Harris.
45%
Entretanto, vão-se perfilando vários nomes que poderão render Biden, caso este desista da corrida. No entanto, os estudos de opinião feitos até ao momento não lhes auguram prognósticos particularmente positivos. Numa sondagem do think tank “Data for Progress”, por exemplo, a vice-presidente Kamala Harris, a mais bem posicionada entre as possíveis alternativas estudadas, congrega 45% das intenções de voto, uma percentagem exatamente igual à de Biden e abaixo dos 48% de Trump.