Publicidade Continue a leitura a seguir

Tecnologia quer libertar médicos da burocracia

Bruno Castilho, cardiologista que cofundou e dirige a Medgical

Publicidade Continue a leitura a seguir

Selecionar doentes para ensaios e dar informação com vista a melhorar tratamentos são os próximos passos desta tecnologia baseada em IA.

A Medgical, uma tecnologia que faz os registos médicos de forma automática e que começou a chegar aos consultórios no final do ano passado, está a preparar novas formas de acabar com a burocracia em saúde. A intenção é libertar os profissionais e tornar o sistema mais eficiente.

Segundo Bruno Castilho, o cardiologista que cofundou e dirige a Medgical, “o problema da burocracia médica é transversal”, levando os profissionais de saúde a passarem metade do tempo ao computador, com consequências graves para a eficiência do sistema. “Só no Sistema Nacional de Saúde, isto representa 30 milhões de horas por ano passadas ao computador”.

Com a Medgical, um software que recorre a inteligência artificial (IA), parte do problema fica resolvido. A tecnologia, acompanhada de um microfone, é instalada no computador do médico e, no fim da consulta, a informação recolhida é analisada para se extrair o que é importante do ponto de vista clínico, gerando notas adaptadas a cada especialidade.

Esta ferramenta vai permitir, também, melhorar a qualidade dos dados em saúde, o que cria novas potencialidades. É o caso do Medgical Trials, uma das novidades que está a ser ultimada. “Às vezes, é muito difícil selecionar doentes para entrarem em ensaios clínicos, porque não há informação clínica, porque os softwares não estão automatizados”, explica Bruno Castilho.

A ideia é que as notas da Medgical possam ser analisadas automaticamente para se perceber “que doentes podem ser inseridos em determinados ensaios clínicos”, ajudando na obtenção de resultados “mais robustos”. Este novo projeto encontra-se numa fase avançada, estando já a ser testado num centro de recrutamento em Londres, no Reino Unido.

Em paralelo, a empresa está a desenvolver o Medgical Patient, que vai permitir que, no fim da consulta, o médico clique num botão e a informação seja enviada ao doente, ajudando-o a compreender melhor a sua doença, como seguir a terapêutica e o plano estabelecido. “Nem sempre temos tempo para explicar detalhadamente ao doente a doença que tem, a medicação a tomar e o que tem de fazer.” Além disso, estudos efetuados indicam que “o doente esquece-se de 80% do que é dito na consulta”, pelo que é necessário melhorar a comunicação.

As duas novas ferramentas deverão chegar ao mercado a meados deste ano.